Esses são alguns poemas antigos meus, logo atualizo.

I

Suave é o som que sai de suas mãos

E terno é o tom que sai da sua boca.

Morenos olhos, coração ligeiro.

Canção de ídolo profano,

Paixão de carnaval diário.

Morena alma, coração rebelde.

Segredos de amor platônico,

Transpiração de amor sensual.

Moreno corpo, coração barato.

Ansiedade clássica, clássica amargura.

Caminhos fechados, calados os dias.

Morenas estradas, coração aflito.

II

Você tem a razão que eu nunca tive,

A confiança que eu nunca aprendi.

Sua sanidade me choca.

Não quero lutar

Seu bom senso é implacável.

Sua arte, irreparável.

Não há pedras indiscretas em seu caminho.

Suas imagens são tão exatas,

Suas cartas não são à toa.

Seu elogio nunca é confete.

Não quero lutar.

III

Com frieza olha em sua palma

E vê a razão nos traços

E vê a canção nos espaços

Nos dedos, a poesia etérea.

Nos olhos, a descartável emoção.

Com certeza olha o seu caminho

E vê os buracos abertos

E vê os trajetos incertos

Nos becos há escuridão

Nos guetos há corrupção

Com destreza arma o seu sucesso

E vê a solidão da majestade

E vê a consolação da crueldade

Nos castelos a luxúria

Nas moedas a malicia

Com tristeza olha o seu passado

E vê nos fatos uma só cena

E nos relatos uma só pena

De não ter feito o seu presente

De não ter visto um só poente

IV

Magoa da espera eterna

Eterno nascer, põe-se o sol vermelho.

E vive a alma escondida na noite.

Alma inata, de lua sem sol.

Lanterna sem barco a levar.

Bússola sem norte.

Soneto de letras cândidas.

Serenata fora do tom.

Coração que bate em si.

Coração aberto, em pó…

Poente, nascente;

Amor impenetrável

Sonho desperto, fala adormecida.

Carinho de mãe,

Ausência de filho.

Fala para ti.

E só em ti

V

Parabéns minha boneca.

Pra você a vida é fácil

Nesta data solitária no calendário

 

Querida solidão.

Muitas vezes olha para o espelho

E há felicidade em seu olhar.

 

Muitos anos de engano, mentiras,

De vida barata,

Felicidade comprada.

 

Nada pode te enganar assim,

Tudo é o seu reflexo.

E como é doce a mentira do seu olhar

VI

Brinco que sou sua amiga,

Acho graça das suas piadas,

Reinvento minhas memórias

Analisando sua canção,

Ouvindo os acordes do seu violão.

Verifico qualquer vestígio de falha.

Erros podem ser esquecidos.

Rugas podem ser apagadas.

Minto olhando para o espelho

Estilhaçado no chão do quarto.

Meu limite.

Haverá muitos como eu,

Ouvindo os acordes do seu violão?

VII

Por achar que não tem ninguém

Entrega-se inteira.

Acende um cigarro.

Toma café.

Sente saudade.

Tem esperança.

Expõe sua alma em guardanapos.

Acha linda a melodia

Em uma tarde no parque.

No espelho vê uma larva,

Sonha um casulo.

Mas já é borboleta

Sem o saber.

VIII

Chuva que bate no teto de zinco.

Gota que rola perfeita na telha

Segue para o abismo, seu destino, serena,

E cai na minha testa enrugada.

Buraco profundo, vazio, solene,

De solidão não geme.

Prepara o teu oco

Para o dia da minha posse.

Dia?

Que dia?

Será que eu vivo esperando morrer

Ou morro de tédio esperando viver?

IX

Seus chorosos

Olhos curiosos.

Suas vazias

Mãos macias.

Sua incerta

Mente aberta.

Sua dura

Alma pura

X

Eu te odeio

E esse ódio me faz tão mal.

Eu te detesto

E me transformo em um ser banal.

Eu te amo

E me torno imune à dor.

Eu te adoro

E perco todo o pudor,

Amor.

XIII  

De noite sua boca encontra minha boca

E os seus olhos encontram os meus.

De dia os beijos se tornam promessas

E de outros olhos são os olhos seus.

De noite as mãos se desdobram em caricias

E os pensamentos são favos de mel.

De dia os toques são doces tormentos

E em minha mente já não há nenhum véu.

Suaves mentiras em minha madrugada,

Quisera eu fazer delas verdade.

Dias azedos ao fim desta noite,

E o pesar de uma realidade.

XIV

Sons

Em minha mente

Dons

Inconseqüentes

Tons

Incoerentes.

XV  

Eu quero sim e não.

Boca, beijo, mão.

Coração.

Eu quero Sol e Lua.

Boca, beijo, mão.

Palavra sua.

Eu quero mar e céu.

Boca, beijo, mão.

Pedaço de papel.

Eu quero sim e não.

Boca beijo, mão.

Maldição.

XVI

Durante anos procurei razão na vida

E o produto foi muito cansaço.

O Sol queimou minha pele branca,

A Lua gelou meu sangue tropical.

Em minha via descobri suplicio

O qual jamais quero reencontrar.

Vi torturarem homens bons,

Vi minha alma se fragmentar.

Meu coração de dores foi tomado

E meu olhara penumbra envolveu.

Meus sonhos se tornaram passado

E meu amor o cosmos dissolveu.

No fim de tudo descobri a vida

No primeiro choro de criança,

Pois depois dele só existe angustia,

E um mar, um oceano…

XVII

Correntes da alma,

O céu e o azul torturador.

Correntes da alma,

O verde da mata e o seu torpor.

Algemas de sonho,

O brilho gelado das estrelas.

Algemas de sonho,

A ausência de cor nas melenas.

Torrentes de fúria,

Marasmo de cascatas e rios.

Torrentes de fúria,

Adormecidos a fogueira e o pavio.

XVIII

Tempo cruel.

Faz-me pensar.

Põe-me na dança

Sem sentido.

A vida.

Quero contemplar o mar

E velejar em suas ondas.

Tocar a areia quente,

Me queimar,

E apelar ao seu frescor.

Quero o que quero.

Meus olhos se abriram.

A mente.

O corpo.

A alma.

XIX

Morte calma.

Meu amor longe.

Sinto um frio cruel

Trazido pela amarga guerra.

Vida agitada.

Meu ódio bem perto.

Sinto um gentil calor

Trazido pela doce paz. XX

O planeta e as estrelas,

A natureza e tudo o que é beleza.

Os homens, os deuses, o céu, a terra.

E toda sua vã filosofia.

O carnaval de fevereiro

E as águas de março.

A inspiração e a transpiração.

A vida e a morte.

O morto e o vivo.

O meu e o teu.

Você e eu.

 

XXI

O medo me atropela

E tropeço nos cacos do tempo.

Não vejo falha na página ao vento

Que em Saara tornou meus olhos.

Opacos não vêem as cores,

Não mais se turbam com meus amores.

E o novelo do meu destino

Fez dos sussurros lindas canções

E das texturas fez sensações

Para que se afaste de minha vida

O sonho que teu sono criou.

Sorriso que em mim apagou.

XXII

Saraus em salões

Com Sade, Sand, e Sapos.

Saltando com Santos e Sartre.

Sementes selecionadas em um

Céu sereno seriam seladas ao

Seu sentimento.

Citaras cingiriam sinais citados.

Simplicidade de sinos e símbolos

Cíclicos.

Suores surdos surpreendendo

Sussurros e suspiros suaves.

Somente sonhos e sonetos sonoros,

Soldando soldados, solenes e sonados.

XXIII

Sou mulher,

Então guerreira.

Sou amante,

Então traiçoeira.

Sou pecado original,

Então musa no carnaval.

Sou doce, sou um mel.

Venenosa feito fel.

Entre truques escondidos

E amores reprimidos,

São aos dois os meus gemidos.

XXIV

Só o vento sabe dizer

O que o tempo quer esconder

Só a chuva pode apagar

O que a vida tem a ensinar

 

Só um poema de amor

Faz gemer o namorado

Só o olhar de um ator

Faz pensar no abominado

 

Só os olhos da alma

Vertem lágrimas sinceras

Só as linhas da palma

Tecem teias completas

XXV

Tinta vermelha na veia.

Aberto o pulso.

Correnteza que leva a aflição.

Sentimentos cristalinos

De comédia, de romance…

De certezas, de rompantes…

De paixão acelerada pelo eterno transitar dos astros.

De canção apaixonada dos menestréis da aurora.

Da culpa do perfume que exalam as incansáveis flores.

Da culpa do gosto de mel do doce lábio entreaberto…

Tinta vermelha na veia.

Fenda na alma.

Dona da minha saudade.

Dona da minha paixão.

Paixão encarnada.

Que foge da veia.

Que rompe o peito.

E mata a razão.

XXVI

A alma não é feita de símbolos.

É um emaranhado de sentimentos limpos

E vontades tintas.

É razão no coração enlevado

E paixão no aprisionado.

É canção nos ouvidos mais selados

E escuridão nos olhos mais despertos.

A alma é um infinito porquê

Que revela ao que procura.

Não há alma alva, imaculada.

Não há sereno coração

Os corações são sempre instáveis

Inconstantes emoções os abraçam

E congelam a exatidão dos fatos

Tornando o Não uma incerteza.

XXVII

Em dias de luta o horizonte se expande

Abrem-se as fronteiras do coração.

Em dias de luta corpo e alma padecem,

Os sentidos se multiplicam

Só a razão não.

Em dias de luta os campeões oram.

Os perdedores choram,

Os imortais aplaudem,

E os deuses coroam

XXVIII

O amor é um bicho arisco.

Quisera eu domar a ilusão que ele traz

Sonhos de amor correndo livre em um campo aberto

Campo coberto por rubras folhas de paixão cruel.

 

Poderia a fatalidade dar-me o dom da premonição

Para não sonhar em vão vácuos lunares

Buracos astrais imaginários

 

O amor é um corpo inconseqüente

Tomado por desejos incoerentes

E visões alucinadas com sabores ácidos.

Somente aceita o verdadeiro amor o insano coração.

XXIX

Por que o correto é ser político

Se o sensato é sempre místico?

Por que o sol é deserto

Se o dia te traz perto?

Por que só o pesadelo

Aproxima quem se quer?

Por que eu devo ter zelo

Se o conselho ninguém der?

XXX

Sementes de guerra na terra da cruz

Sementes de sangue, suor e pus.

Sementes que crescem com força e vigor

Trazendo o ódio, a morte e o pavor…

 

Caminhos noturnos sem água e sem pão

Caminhos seguidos por raiva e paixão

Caminhos de muitos, jamais de um só.

Abertos sem culpa, nem lágrima, nem dó…

 

Heróis que fugiram para a paz do Senhor

Heróis já sem armas, com medo da dor.

Heróis sem medalhas, só com a missão

De acabar com as guerras, e cuidar só do pão.

XXII

XXI

Sou uma vida sem vida, sem oxigênio.

Sou uma arte sem vida, sem o dom de algum gênio.

Sou o sim do torturado,

O andar do aleijado,

A perda,

A censura no século 21.

O mesmo que o dia sem a luz do Sol.

O mesmo que a noite sem a luz da Lua.

 

Em cada dia no qual eu espero,

Em cada noite na qual eu me desespero,

Eu penso no dia de ontem,

Na vida de hoje,

E no pôr do Sol de amanhã.

 

E ele me parece cinza,

Como a fumaça dos carros,

Opaco, como o olhar do doente,

Áspero, como a mão calejada do trabalhador,

Que se esforça, e sofre, e chora,

Clamando pela mão divina.

“A vida não é só comédia”.

É também romance, drama, ação.

É Fellini, Spielberg, Tarantino.

É Pacino, Ford, Travolta.

É Saradon, Stone, Ryder.

É passado, presente, futuro…

“Ah, sei lá, mil coisas…”.

Mil coisas eu queria que fosse,

Que fosse somente riqueza,

Não fosse a ácida tristeza

Que emana de nossa alma.

À noite eu tentei dormir,

Dormir calmamente como uma criança,

Queria sonhar com campos,

Flores que pertencem a mim e a meu Deus,

Mas meu sonho é como um gato.

Um gato arisco, e com garras afiadas,

Que foge de mim.

E quando o estou alcançando

Ele me arranha, me faz acordar.

“A vida não é só rock”.

É também samba, funk e baião.

É Jobim, Cazuza, Pixinguinha.

É Caetano, Herbert, Rosa (o Noel e o Samuel).

É Bethânia, Marisa, Paula.

“Ah, sei lá, mil coisas…”.

Estava andando, pensando na vida, de repente eu vi. 

Ela era grande…

Uma resposta »

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s